A venda do Emblemático The Washington Post

The Washington Post

Imprensa mundial busca desesperadamente um novo modelo – revistas e jornais se reinventam…

 

Muitos pensaram em mais um trote da internet, quando leram chamadas no final da tarde de ontem que apontavam a venda do americano Washington Post para Jeff Bezos – talvez o segundo jornal mais emblemático dos Estados Unidos, logo após o The New York Times.

Bezos é fundador do maior site de e-commerce do mundo – a Amazon.com. Esse fator trazia certa credibilidade à nota. Contudo, eu mesmo me senti inclinado a duvidar do teor da notícia quando vi o valor da aquisição: US$ 250 milhões… simplesmente uma ninharia, em dias de compra e venda de coqueluches da internet.

A compra envolve outros cinco ou seis títulos controlados pelo Washington Post – cuja empresa original, controlada pela família Graham desde os anos 30, mudará seu nome, mantendo alguns dos negócios – já que Bezos adquiriu a marca.

O valor relativamente baixo chama a atenção – assim como chamou a atenção a recente venda do Boston Globe, cedido pelo The New York Times por apenas US$ 70 milhões. Após assistir a vendas bilionárias de empresas com poucos anos de mercado e praticamente nenhuma receita, como o Instagram, assistimos a queima de empresas tradicionais por trocados.

INGENUIDADE

É possível ler comentários e editoriais ao redor do mundo, tanto criticando o baixo valor de venda, como também elogiando Bezos por ‘salvar’ parte histórica da imprensa americana.

Há dois problemas nessa teoria: o primeiro deles é supor que o fundador da Amazon não tenha um admirável plano de negócios reservado para o emblemático jornal; o segundo deles é tomar tal negociação como uma novidade.

Durante toda a história do capitalismo, empresas da nova economia abocanharam ou se fundiram a nomes fortes da economia estabelecida. A imprensa mundial busca desesperadamente um novo modelo – revistas e jornais se reinventam para atingir um novo público-leitor, gastando milhões em tecnologia e desenvolvendo plataformas com as quais não têm a menor familiaridade. Sob essa óptica, a venda do Washington Post poderá se revelar, nos próximos anos, uma decisão extremamente acertada – é provável que estejamos assistindo à reinvenção do jornal, mas certamente podemos contar, no mínimo, com uma modernização atroz no segmento de produção de conteúdo.

Enquanto jornalistas e colegas seguem enxergando Bezos como um herói ou aventureiro, preferimos enxerga-lo apenas como o personagem que o mesmo vem representando desde a criação da Amazon: o empresário inovador e bem-sucedido.

CARLOS MATOS (Editor)
FINHO LEVY (Publisher)

Texto original em Carta ao Leitor no Fórum de Líderes Empresariais

Fonte: Bastidores Líderes

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